Ciencias da Analise Comportamental

O comportamento é definido como o conjunto de reações de um sistema dinâmico em face às interações e realimentações propiciadas pelo meio onde está inserido.Assim este forum foi criado para debates, apresentação de artigos, praticas de analise e etc..
 
InícioCalendárioFAQBuscarMembrosGruposRegistrar-seConectar-se

Compartilhe | 
 

 Condicionamento

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo 
AutorMensagem
Admin.Mauricio
Admin


Mensagens : 60
Data de inscrição : 19/11/2009
Idade : 28
Localização : Recife

MensagemAssunto: Condicionamento   Dom Maio 09, 2010 2:38 am

APRENDIZAGEM – O COMPORTAMENTALISMO
Um dos principais temas da Psicologia da Educação é a Aprendizagem.
Num sentido amplo, aprendizagem define-se como a mudança relativamente
permanente no conhecimento ou no comportamento produzida pela experiência. A
aprendizagem considera a aquisição de informação e conhecimentos, habilidades
hábitos, atitudes, e crenças.
Não é considerado aprendizagem as mudanças físicas do amadurecimento, como
o crescimento de pelos.
O comportamentalismo é a teoria que diz que o comportamento se deve explicar
através de experiências observáveis e não por processos mentais. O comportamento é
qualquer coisa que se faça e possa ser observada directamente.
Sendo os processos mentais os pensamentos, motivos e sentimentos, estes não
devem ser objecto de estudo pela psicologia, pois não são directamente observáveis.
Tanto o condicionamento clássico, como o condicionamento operante, de que falaremos
de seguida adoptam a perspectiva comportamentalista para explicar a aprendizagem
O CONDICIONAMENTO CLÁSSICO
As famosas experiências de Pavlov com cães são o exemplo paradigmático desta
forma de aprendizagem. Pavlov observou que os cães salivavam quando as glândulas
salivares se punham em contacto com a carne, o que classificou de reacção
incondicionada. Posteriormente os cães passaram também a salivar apenas por verem a
carne. Esta reacção foi classificada de resposta condicionada, que teria sido aprendida.
Pavlov pensou que tal aprendizagem era devida a uma associação de estímulos.
Comprovou esta hipótese com uma série de experiências em que tentou associar um
Estímulo Neutro (ou seja, que não provocava qualquer resposta), o som duma
campainha, com um estímulo incondicionado (carne, que provocava a resposta
incondicionada da salivação). Após algumas associações, o som da campainha tornouse
num estímulo condicionado, pois à sua presença, os cães reagiam com a salivação,
agora resposta condicionada.
Então o condicionamento clássico (CC) é um tipo de aprendizagem em que um
organismo aprende a transferir uma resposta natural perante um estímulo, para outro
estímulo inicialmente neutro, que depois se converte em condicionado. Este processo
dá-se através da associação entre os dois estímulos (incondicionado e neutro).
Para que o CC se produza deve-se sempre apresentar primeiro o estímulo Neutro
e alguns segundos depois o Estímulo Incondicionado (o processo deve repetir-se várias
vezes), para que possa haver associação.
Outro conceito do CC é o reforço, que significa o emparceiramento contínuo
dos estímulos condicionados e incondicionados, que ao não ser feita tende a fazer
decrescer as respostas condicionadas, podendo levá-las até à extinção, ou seja até
desaparecerem. Contudo, algumas vezes poder-se-á dar uma recuperação expontânea,
que é a recuperação da resposta condicionada, quando esta já se tinha extinto por falta
de associação dos estímulos.
A generalização consiste no aparecimento de respostas condicionadas perante
estímulos semelhantes, mas não iguais. A discriminação consiste na capacidade de
discernir estímulos semelhantes, produzindo a resposta apenas no estímulo correcto. Por
exemplo, se o cão saliva ao ouvir um som parecido ao da campainha original dizemos
que generalizou a resposta. Se não saliva na mesma situação é porque discrimina os
sons.
Então, a generalização é uma resposta à similaridade dos estímulos e a
discriminação é uma resposta às diferenças entre eles.
Apesar das dificuldades aparentes na aplicação deste tipo de aprendizagem na
sala de aula, tal é possível. Aprendem-se fundamentalmente emoções, tanto positivas
como negativas, através do CC. É então possível fazer aos alunos associarem emoções
positivas com a matéria ensinada, gerando assim motivação para que o aluno aprenda.
Por outro lado, também é possível causar mal-estar entre os alunos na sala de aula que
podem ser associadas com a matéria em causa e afastar assim os alunos do seu estudo.
Qualquer estímulo, sejam pessoas, objectos ou actividades podem ser associados
com estímulos que provoquem respostas emocionais. Esse é o potencial do professor: o
seu comportamento afectivo, a maneira de organizar as aulas e os métodos e técnicas
educacionais que utiliza nas aulas podem gerar emoções de bem-estar ou mal-estar nos
alunos que ficarão associadas às matérias dadas e/ou ao próprio ensino em si.
Deve também ter-se em conta os conceitos de generalização e de discriminação
abordados anteriormente, no respeito às aplicações práticas do CC no ensino.
A ter em conta que as sensações agradáveis são essenciais para a aprendizagem
de experiências agradáveis. Há um risco na aprendizagem por CC já que esta não é
consciente e não há um controlo sobre os estímulos. O professor é a principal figura que
se deve preocupar em evitar os estímulos desagradáveis e proporcionar os agradáveis.
Especificamente pode-se agir na prevenção (impedindo o desenvolver de
reacções emocionais negativas nas situações escolares) e na correcção, através do
princípio da extinção (colocando o aluno na situação-problema garantindo-lhe que não
será negativo), da extinção gradual (semelhante mas em pequenos passos de cada vez)
ou através da contra-aprendizagem (apresentando estímulos positivos perante a situação
problema por forma a que esta passe a estar associada a uma sensação de bem-estar).
Convém garantir que passe o menor tempo possível nas operações de correcção, pois
quanto mais se instalar um receio, mais difícil é fazê-lo desaparecer.
O CONDICIONAMENTO OPERANTE
O condicionamento clássico é uma aprendizagem relativamente automática de
respostas emocionais perante estímulos. No entanto, o comportamentalismo abraça
outras formas de aprendizagem: o condicionamento operante é o processo de
aprendizagem do comportamento que implica acções deliberadas. Skinner e Thorndike
produziram experiências com animais. Thorndike formulou a lei do efeito que diz que
“qualquer acção que produza um efeito satisfatório será repetida”. Thorndike encerrou
gatos em caixas-problemas que, quando acidentalmente descobriam a forma de abrir as
caixas, aprendiam e passavam a repetir o movimento da próxima vez que fossem lá
colocados.
Foi no entanto Skinner que desenvolveu o conceito. O condicionamento
operante (CO) descreve a relação entre o comportamento e as consequências. Uma
resposta operante é aquela que se produz sem a presença de um estímulo
incondicionado, ou seja é um comportamento voluntário.
Será então um processo através do qual aprendemos a dar respostas de forma a
obter um benefício ou a evitar algo desagradável. Consequentemente a frequência das
respostas depende das suas consequências.
O reforço é um evento que sucede um comportamento e o incrementa. Há várias
formas de os classificar: se são primários (diz respeito a necessidades básicas ou
naturais – não aprendido) ou secundários (aprendido, podendo ser material ou social);
se são intrínsecos ou extrínsecos (diz respeito ao reforço ser ou não ser inerente ao
comportamento que o gerou); ou então se são positivos ou negativos.
O reforço positivo será a apresentação de um estímulo positivo. O reforço
negativo a supressão de um estímulo aversivo.
Se as consequências de um comportamento forem aversivas ou desagradáveis
para o sujeito, o comportamento tenderá a desaparecer. Ou seja, também se consegue
controlar o comportamento através de efeitos negativos. É o caso do castigo.
Existem dois tipos de castigos. O castigo por de Tipo I, consiste na apresentação
de um estímulo negativo depois de emitido o comportamento que se quer ver
desaparecer. O castigo de Tipo II implica a remoção de um estímulo agradável.
Ao contrário do reforço, que implica sempre incremento no comportamento, o
castigo ensina a não fazer algo, a suprimir uma resposta, nada mais.
Existem algumas questões acerca do emprego pedagógico dos reforços e
castigos. O que torna algo (evento, objecto, acontecimento ou actividade) um bom
reforçador, só se poderá saber na prática, nunca à partida. Dependerá da experiência do
sujeito, podendo provir do próprio sujeito (auto-reforço) ou do meio físico e social.
O reforço deve ser dado sempre depois do comportamento que se quer reforçar,
nunca antes. Deve também ser dado imediatamente, para diminuir o risco do reforço ser
associado a outro comportamento, entretanto ocorrido. Deve-se também informar o que
é que é reforçado e o que não é. Para além disso os reforçadores podem perder a sua
eficácia, pelo que é conveniente alterar periodicamente os mesmos. A omissão de
recompensas produzem efeitos de redução ou extinção dos comportamentos. Há que
também saber variar a intensidade dos reforços consoante o sujeito está a iniciar a
aprendizagem (reforço contínuo) ou a manter um comportamento (intermitente).
Finalmente deve haver uma proporcionalidade razoável entre o reforço e o
comportamento.
Um programa de reforço contínuo torna o comportamento fácil de adquirir, mas
também fácil de desaparecer. O reforço intermitente pode ser dado consoante o
intervalo de tempo entre cada reforço (que por sua vez podem ser de duração fixa ou
variável) ou então consoante o número de acções realizadas – programas de razão – que
também podem fixos ou variáveis.
Quanto ao castigo, apesar de apresentar inconvenientes, há muitas ocasiões em
que o educador não os pode ignorar, para evitar males maiores, como por exemplo,
quando se ultrapassa de forma clara as normas assumidas por todos, se falta ao respeito
à autoridade com actos inaceitáveis para a maioria ou se danifica propriedade alheia ou
pública intencionalmente.
No entanto o castigo deve ser imediato, não aprazado. Não deve ser fraco nem
forte, mas sim suficiente. Há que ser proporcional à falta em causa e ocorrer sempre que
esta ocorra. Os critérios devem ser claros para que o sujeito saiba claramente porquê
está a ser castigado. Deve-se acabar com o castigo assim que ele tenha o efeito
desejado.
A generalização, a discriminação e a extinção são as semelhanças mais notórias
entre o condicionamento clássico e o condicionamento operante.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://analisecomportament.forumeiros.com
 
Condicionamento
Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo 
Página 1 de 1

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Ciencias da Analise Comportamental :: Artigos e Debates-
Ir para: